quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

AS TRILHAS FILOSÓFICAS DE JAYA

OS PEREGRINOS DA ETERNIDADE

Eu não nasci “filósofo”, nem professor de língua inglesa, nem músico, compositor ou poeta. Esses rótulos, títulos ou atributos, despontam da personalidade que eu (atman, minha identidade original) adquiri na presente existência/encarnação. Vocês, também! Não nasceram o que são. Aquilo que se agregou ao nome, à pessoa que vocês chamam de “eu”, foi sendo despertado (se desprendendo) ao longo de suas vidas atuais.
Ao nascermos (aliás, antes mesmo desse aparecimento no mundo, na data a que atribuímos nosso aniversário), a Natureza define certos “padrões de identidade” – são eles: sexo, cor da pele, dos cabelos, dos olhos etc, etc.; esses padrões, apesar de importantes, são superficiais; são, no máximo, uma forma a ser identificada pelas pessoas para não sermos facilmente confundidos com os outros. Porém, aquilo que haveremos mesmo de “representar” no mundo, ou seja, a “personalidade/individualidade”, que marcará nossa identidade e nossa passagem por esta existência, vai sendo “composta” (formatada) pelo Karma (princípio universal que reúne agente e ação na mesma dimensão espaçotemporal, ao longo de suas encarnações) e nossos skandhas (tendências e aptidões provindas de nossas personalidades passadas).
Para a maioria das pessoas nada do que direi aqui importa – “elas são elas e pronto!”; para a maioria das pessoas a “reencarnação” é “pura teoria”, “especulação filosófica de quem não está satisfeito com sua própria vida”; para a maioria das pessoas “a gente nasce e morre e acabou...”. Bem, felizmente, não é para essas pessoas que escrevo. Que elas continuem em seu ceticismo, no qual “ser ignorante” é “ser sabido”, “curtir a vida vale mais do que ficar pensando o que seja ela”. Assim como um homem, depois de andar muito, dando voltas e voltas num campo imenso, resolve parar para descansar e aproveita para indagar de si mesmo “onde é que eu pretendo chegar andando tanto assim?”, ou “quando tudo isso acaba afinal?”, similarmente, esses que hoje ainda não pararam suas vidas para perguntar “quem sou?”, “onde estou?” e “para onde vou?”, um dia serão forçados a fazê-lo, nem que seja pelo cansaço. Não direi que aí será tarde demais, pois não há “tarde demais” para as almas eternas que vagam pela Existência infinita, que trilham os caminhos perpétuos das encarnações, para simplesmente descobrirem que sonham tranqüilos nos braços do Andarilho Supremo, que ainda tem muito a percorrer, mas que sabe exatamente “Quem é”, “O que faz” e “Aonde quer chegar”.

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